Páginas

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Viva São Cosme e São Damião!



Segundo o Portal São Francisco, eles são “Padroeiros dos farmacêuticos, médicos, babeiros e cabeleireiros, protegem as crianças, os orfanatos, creches, as doceiras, filhos em casa, além de proteger contra doenças como hérnia e a peste. Os emblemas dos santos são caixa com ungüentos, frasco de remédios, folha de palmeira.

Seu culto divulgou-se intensamente pela Europa, principalmente na Itália, Flandres, França, Espanha e Portugal, onde várias igrejas foram construídas sob seu patronato. Considerados protetores dos cirugiões, eram padroeiros de diversas confrarias, como por exemplo, a Confrérie et College de Saint Côme, fundada em Paris, em 1226, a mais famosa associação médica da Europa e que existiu até a Revolução Francesa. Nas primeiras décadas do século XIX, pagava-se na Universidade de Coimbra a quantia de 480 réis pelo registro do diploma de medicina e 100 réis pelo exame de boticário, valores devidos à Irmandade dos Santos Cosme e Damião.”

Quando lembro da data de hoje na minha infância, a imagem que aparece em minha mente é da minha mãe cercada por crianças da rua onde nós morávamos, perguntando para ela: “Tia, tem bala?” Olha, sempre tinha! Sempre carregava algumas balas na bolsa, mesmo fora do mês de São Cosme e São Damião, que é setembro. Minha mãe até hoje crê que toda criança merece ser feliz, nem que seja apenas no momento em que recebe uma balinha. Todas essas crianças já crescidas, quando as encontro, perguntam com muito carinho pela “Tia da bala”.

Minha mãe como boa baiana, e muitas outras pessoas em todo o Brasil, no dia 27 de setembro distribuia saquinhos de papel com balas, pirulitos, pé-de-moleque, maria-mole, etc para as crianças que batiam a nossa porta.


mapa_caruru
Site: Retirante


Uma outra boa baiana amiga da minha mãe, a Vitalina, durante muitos anos teve como compromisso oferecer neste dia  o chamado  “Caruru de Cosme” a muitas crianças, para a família, amigos e vizinhos. Sempre fomos cedo para a casa dela para ajudar a família no que fosse necessário para o banquete, porque é uma comida com muitos detalhes feita em grande quantidade. Uma prática comum de quem veio do recôncavo baiano. Era uma festa!

Na casa da Vita comíamos o caruru propriamente dito (veja bem que eu nem sou fã de quiabo, mas aquilo é tão bem temperado…), o vatapá, frango ou galinha ensopada. Sempre acompanhados de um arroz branco. Não fazíamos o acarajé, que eu aaaamooo. Cada um com a sua tradição.

A preparação dessa comilança toda era apenas um pretexto para juntar muita gente que não se via a muito tempo e colocar o assunto em dia. Além de cada um doar o seu tempo e seu trabalho, quem não podia dispor destes dois doava em ingredientes, ou com um bolo ou refrigerantes. Era mesmo uma confraternização. Sempre sobrava alguma coisa e quem quisesse levava um pouquinho no seu “tapauer” trazido de casa.

A quem puder interessar as receitas de como se faz o caruru e o vatapá, aqui nesta página tem os ingredientes e o modo de fazê-los.

E em homenagem aos santos médicos e que não cobravam nada pelo seu dom na prática dos seus conhecimentos, assim como minha mãe e Vita que distribuiam carinho através de balas e carurus, fica aqui um vídeo com a música e a oração a São Cosme e São Damião, cantada por Maria Bethânia.

Um comentário:

  1. Nossa, eu tinha até me esquecido! Este dia era sempre tão gostoso! Sempre tinha um vizinho que fazia uma festinha. Tempo bom que não volta mais.

    ResponderExcluir

Deixe-me saber um pouco do que você achou deste post. Seus comentários e sugestões são sempre entendidos como uma generosa doação do seu tempo. Obrigada!